24 janeiro 2026 - 10:44
Sabedorias do Nahj al-Balagha – Sabedoria 28 Ascetismo (Zuhd): não se apegar ou não possuir?!

O ascetismo e o desapego em relação ao mundo e a tudo aquilo que lhe é vinculado constituem algumas das mais importantes características do ser humano consciente. É evidente que esse desapego, mais do que se manifestar externamente, representa um esforço interior; assim, o verdadeiro asceta, antes de ser reconhecido pelos outros como alguém desprendido, deve não manter, em seu íntimo e em sua essência, apego ao mundo e às suas posses.

ABNA Brasil — A Sabedoria 28 do Nahj al-Balagha é expressa pela frase:

«أَفْضَلُ الزُّهْدِ إِخْفَاءُ الزُّهْدِ»
“O melhor tipo de ascetismo é ocultar o próprio ascetismo.”

De acordo com a cadeia de transmissão registrada na obra Wasā’il al-Shi‘a, essa expressão constitui parte do testamento do Imam Ali (a.s.) dirigido a Muhammad ibn al-Hanafiyya, do qual Sayyid Radi selecionou dezenas de trechos e os incluiu nas sabedorias do Nahj al-Balagha. Além disso, segundo a transmissão preservada na obra Furu‘ al-Kafi, essa frase aparece em uma carta que o Imam Ali (a.s.) escreveu ao Imam Hassan (a.s.). Em outras fontes narrativas, essa tradição também é transmitida do Amir al-Mu’minin (a.s.) por intermédio do Imam Muhammad al-Baqir (a.s.) e do Imam Ali al-Rida (a.s.). O conjunto desses dados evidencia a importância dessa narrativa entre os Imames infalíveis (a.s.). No total, é possível encontrar essa tradição em cerca de trinta e cinco fontes narrativas ou históricas, atribuídas aos Imames (a.s.).

O tema central da Sabedoria 28 é o ascetismo (zuhd), sobre o qual diversos pontos são abordados no Nahj al-Balagha. Aparentemente, a Sabedoria 439 oferece uma definição abrangente desse conceito.

O Imam Ali (a.s.) afirma nessa sabedoria:

«وَ قَالَ (علیه السلام): الزُّهْدُ کُلُّهُ بَیْنَ کَلِمَتَیْنِ مِنَ الْقُرْآنِ، قَالَ اللَّهُ سُبْحَانَهُ: لِکَیْلا تَأْسَوْا عَلی ما فاتَکُمْ وَ لا تَفْرَحُوا بِما آتاکُمْ؛ وَ مَنْ لَمْ یَأْسَ عَلَی الْمَاضِی وَ لَمْ یَفْرَحْ بِالْآتِی، فَقَدْ أَخَذَ الزُّهْدَ بِطَرَفَیْهِ»

“O ascetismo, em sua totalidade, encontra-se entre duas palavras do Alcorão. Deus, o Altíssimo, diz: ‘Para que não vos entristeçais pelo que perdestes, nem vos alegreis excessivamente pelo que vos foi concedido’. Aquele que não se entristece pelo passado nem se exulta pelo que vem, tomou o ascetismo por ambas as suas extremidades.”

Ao lado dessa definição de ascetismo, o Imam Ali (a.s.), no Sermão 81, descreve também o método prático do zuhd:

«أَیُّهَا النَّاسُ، الزَّهَادَةُ قِصَرُ الاْمَلِ، وَالشُّکْرُ عِنْدَ النِّعَمِ، وَالتَّوَرُّعُ عِنْدَ الْمَحَارِمِ، فَإِنْ عَزَبَ ذلِکَ عَنْکُمْ فَلاَ یَغْلِبِ الْحَرَامُ صَبْرَکُمْ، وَلاَ تَنْسَوْا عِنْدَ النِّعَمِ شُکْرَکُمْ، فَقَدْ أَعْذَرَ اللهُ إِلَیْکُمْ بِحُجَجٍ مُسْفِرَةٍ ظَاهِرَةٍ، وَکُتُبٍ بَارِزَةِ الْعُذْرِ وَاضِحَةٍ»

“Ó pessoas! O ascetismo consiste em encurtar as esperanças, agradecer diante das bênçãos e agir com escrúpulo diante do que é proibido. E, se não conseguirdes reunir todas essas qualidades, ao menos não permitais que o ilícito vença a vossa paciência e não esqueçais o agradecimento diante das graças divinas; pois Deus já completou a prova contra vós por meio de argumentos claros e evidentes e de livros celestes, manifestos e inequívocos.”


Fontes

  • Payam-e Imam (Mensagem do Imam), comentário ao Nahj al-Balagha, Ayatollah al-Uzma Naser Makarem Shirazi.
  • Rawat wa Muhaddithin do Nahj al-Balagha, do falecido Mohammad Dashti.
  • Fi Zilal al-Nahj al-Balagha, Mohammad Jawad Mughniyah, tradução: Gholam-Hossein Ansari.
  • Tradução Poética do Nahj al-Balagha, Omid Majd.
  • Al-Mu‘jam al-Mufahras li-Alfaz Nahj al-Balagha, do falecido Mohammad Dashti.

Sayyid Ali-Asghar Hosseini / ABNA

Tags

Your Comment

You are replying to: .
captcha